o mal estar da civilização
quanto mais me rejeitam mais vivo
arte não é lazer entretenimento
arte é incomodAção
tenho o olho no obsceno
no sexo no trágico
no olho do furacão
na planície no planalto no cerrado
no mal estar da civilização
faço o que freud disse
abstrato muitas vezes concreto
não faço poema fino
só duro bem grosso e reto
canibal antropofágico
lírico ou trágico
em botafogo todo jogo eu topo
a mina trampa quando trapa
eu ouço o rappa
e me aposso da cidade como posso
tenho sangue goytacá não carioca
canibal antropofágico
gosto de tua frente
e muito mais das tuas costas
não gosto de gato por lebre
mas sei também que tem quem gosta
poética 53
haveria outra forma de amar-te
arte e paixão tamanha
que entra nas entranhas
quando roça a carne
na pele dessa tela
e vem como quem se deita
e dorme com um poema ereto
entre o vão das coxas
artur gomes
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